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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

O racismo vive na porta ao lado

13.03.16publicado por Gato Pardo

Dizem os sábios desta vida que todos os dias aprendemos algo novo. Seja o deleite de um novo livro folheado ou as consequências de meter os dedos na torradeira. Mas o que importa é que aprendemos. Bom ou mau.

Isto vale principalmente para as pessoas. Por vezes, julgamos que conhecemos as pessoas quando na realidade, não fazemos ideia de quem são.

Aproveitando o bom tempo que se fazia sentir, saí depois de almoço. Fui ao café onde encontrei a esposa de um amigo acompanhada da filhota. Adoro a miúda. Sete anos de pura irreverência, sentido de humor e caracóis louros selvagens. Sentei-me e colocámos a conversa em dia. A mãe ausentou-se por breves instantes para ir à casa de banho e fiquei na cavaqueira com a miúda.

 

- Então e diz-me lá, como anda a escola? - perguntei.

- Corre bem. Estou a tirar boas notas. - disse ela, com aquele sorriso juvenil que ilumina o mundo.

- Os teus pais devem estar felizes então... - disse eu a sorrir.

- Bem, o meu pai não ficou muito satisfeito com uma coisa...

- Então?

- Sabes, eu gosto muito de dançar. Mas o meu pai não me deixa ir para as aulas de hip hop.

- Porquê?

- Bem, ele diz que aquilo é música de pretos e que como ele não gosta deles, não me quer a dançar hip hop com as minhas amigas...

 

Caiu-me tudo. Não sei o que me fez sentir pior. Se descobrir que alguém por quem nutria estima se revelou um perfeito racista, se ouvir palavras desta índole da boca de uma criança. Entretanto, a mãe chegou e a menina afastou-se um pouco para brincar com outras crianças que ali estavam. E questionei-a.

 

- Olha lá, a miúda disse-me isto. É verdade?

Ela baixou a cabeça em perfeito silêncio, quase como envergonhada.

- Tu conheces-o. Sabes que ele não é má pessoa. É um excelente pai mas está longe de ser um perfeito ser humano...

- Ninguém é perfeito.Certo. Bom pai? A dar a entender à filha que é aceitável ser-se racista? Mas ele pensa que ainda vivemos de acordo com as Leis de Jim Crow? Proibir a miúda de frequentar aulas de hip hop? Segregação racial no sec. XXI?

Mais uma vez, silêncio.

 

Mãe e filha despediram-se de mim, deixando-me com os meus pensamentos. Temo por esta nova geração. Receio que os ódios antigos e convicções tacanhas falem mais alto e hipotequem alguma réstia de humanidade que nos reste. O racismo está mais presente que nunca nas nossas vidas. Basta proferir o nome de Donald Trump que me ocorrem dezenas de citações à mente. E as pessoas aplaudem. Bebem cada palavra como verdades absolutas. Sejam palavras carregadas de racismo ou xenofobismo. Ao que chegámos...

Da minha parte, não sei se conseguirei voltar a apertar a mão a esta pessoa. Não posso chamar amigo a alguém que se me visse junto de alguns familiares meus, talvez lhes cuspisse na cara. E quem cospe nos meus, cospe em mim.

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